O avanço da automação e da inteligência artificial deve alterar o peso relativo das habilidades profissionais até 2030. É o que indica o relatório “Core Skills in 2030”, do Fórum Econômico Mundial, elaborado a partir das expectativas de empregadores ao redor do mundo.
O levantamento organiza as competências em quatro grupos: habilidades emergentes, habilidades essenciais para 2030, habilidades estáveis e habilidades fora de foco. A divisão mostra que a preparação para o mercado de trabalho não dependerá apenas do domínio de ferramentas digitais, mas também da capacidade de analisar problemas, criar soluções, liderar equipes e continuar aprendendo.
O estudo foi destacado em artigo publicado em 27 de março de 2025 por Tiago Paiva. O material apresenta as competências que devem ganhar espaço, aquelas que continuarão relevantes e as que tendem a deixar de ser diferenciais competitivos com a ampliação das ferramentas automatizadas.
Quatro grupos de competências
A estrutura do relatório parte de uma mudança na forma de avaliar o preparo profissional. Em vez de tratar todas as habilidades como equivalentes, o levantamento considera a tendência de valorização de cada uma delas diante da transformação tecnológica e das novas exigências do setor produtivo.
As habilidades essenciais são aquelas já consideradas importantes e que devem continuar crescendo em relevância. As emergentes aparecem como campos com potencial de expansão. As estáveis mantêm utilidade, mas sem a mesma perspectiva de crescimento. Já as habilidades fora de foco não desaparecem necessariamente, mas deixam de ser o principal eixo de desenvolvimento profissional.
Essa classificação ajuda a explicar por que competências básicas podem continuar sendo necessárias, embora passem a oferecer menor diferenciação no mercado. Ao mesmo tempo, capacidades ligadas à adaptação, à inovação e à compreensão de tecnologias ganham espaço.
Tecnologia passa a fazer parte de diferentes áreas
Entre as habilidades apontadas como essenciais para 2030 estão inteligência artificial e big data. A digitalização dos processos e o uso crescente de sistemas automatizados devem ampliar a necessidade de interpretar dados, apoiar decisões e compreender o funcionamento de soluções baseadas em tecnologia.
O domínio dessas ferramentas não é apresentado como uma exigência restrita aos profissionais de tecnologia da informação. A alfabetização tecnológica também aparece entre as competências essenciais porque softwares de automação, plataformas digitais e recursos de análise de dados tendem a integrar a rotina de diferentes setores.
Na prática descrita pelo estudo, compreender a lógica das tecnologias passa a ser importante mesmo para quem não trabalha diretamente com programação ou desenvolvimento de sistemas. A familiaridade com ferramentas digitais deve fazer parte de atividades administrativas, operacionais e de gestão.
Pensamento analítico e criatividade ganham peso
O relatório também destaca pensamento analítico e criatividade. A combinação reúne duas capacidades associadas à solução de problemas complexos: interpretar informações e formular respostas novas para situações que não podem ser resolvidas apenas por procedimentos repetitivos.
Em um ambiente com maior presença de automação, a criatividade humana é apresentada como um recurso para desenvolver produtos, serviços e processos. O pensamento analítico, por sua vez, contribui para avaliar dados, identificar problemas e apoiar decisões.
O levantamento não coloca tecnologia e criatividade como competências opostas. Ao contrário, a leitura apresentada no material-base relaciona o uso de ferramentas digitais à necessidade de julgamento, inovação e capacidade de transformar informações em soluções.
Adaptação e liderança entram no centro do trabalho
Resiliência, flexibilidade e agilidade formam outro conjunto de habilidades consideradas essenciais. A justificativa está na velocidade das mudanças no mercado e na necessidade de responder a novas demandas sem depender de rotinas fixas.
O artigo também associa essas competências ao chamado mindset ágil, entendido como a disposição para ajustar processos e comportamentos diante de novos desafios. Nesse cenário, profissionais adaptáveis tendem a lidar melhor com alterações nas ferramentas, nas funções e na organização do trabalho.
Liderança e influência social aparecem no mesmo grupo. À medida que as equipes se tornam mais diversificadas e distribuídas globalmente, o relatório aponta a necessidade de líderes capazes de orientar e motivar pessoas em ambientes remotos e multiculturais.
A liderança, nesse contexto, não é descrita apenas como ocupação de um cargo formal. Ela está relacionada à capacidade de conduzir equipes, influenciar decisões e manter a coordenação do trabalho em estruturas mais distribuídas.
Motivação e autoconsciência também são citadas
Motivação e autoconsciência completam a lista de habilidades essenciais destacadas no material. O texto relaciona essas competências à inteligência emocional, ao gerenciamento das próprias emoções e à capacidade de manter o desempenho diante de mudanças.
A autoconsciência aparece como parte do desenvolvimento profissional porque permite reconhecer limites, comportamentos e reações. Já a motivação é associada à disposição para sustentar o esforço e a produtividade ao longo das atividades.
Com isso, o retrato projetado para 2030 combina domínio tecnológico, raciocínio, criatividade e aspectos comportamentais. A preparação profissional não se limita a aprender uma ferramenta específica, mas envolve reunir capacidades que possam ser usadas em diferentes situações.
Cibersegurança e sustentabilidade são áreas emergentes
O grupo de habilidades emergentes reúne competências que estão ganhando importância e podem se tornar diferenciais para os profissionais. Entre elas estão cibersegurança e redes, gestão ambiental e sustentabilidade, design e experiência do usuário, além de curiosidade e aprendizagem contínua.
A demanda por conhecimentos em cibersegurança e redes é relacionada à digitalização dos negócios. Quanto mais processos e informações passam a depender de sistemas conectados, maior é a atenção dedicada à segurança da informação.
Gestão ambiental e sustentabilidade aparecem como consequência do interesse crescente das empresas por práticas sustentáveis. O material afirma que essa habilidade deve alcançar diferentes setores, e não apenas atividades diretamente ligadas ao meio ambiente.
Outra frente citada é o design e a experiência do usuário. A relação dos consumidores com marcas e produtos no ambiente digital é apresentada como um fator de diferenciação. Nesse cenário, soluções pensadas a partir das necessidades do usuário tendem a ganhar relevância.
Aprendizagem contínua como resposta às mudanças
Curiosidade e aprendizagem contínua completam o conjunto de habilidades emergentes. A ideia central é que a formação profissional não se encerra com uma etapa única de estudo, já que ferramentas, processos e demandas podem mudar ao longo da carreira.
O material associa a mentalidade de aprendizagem ao aumento das chances de acompanhar as transformações do mercado. Profissionais dispostos a atualizar conhecimentos podem ampliar a capacidade de responder a novas funções e tecnologias.
Para as empresas, o cenário descrito também envolve a capacitação das equipes. O artigo afirma que organizações que fomentarem o desenvolvimento dos funcionários poderão contar com profissionais mais preparados para lidar com os desafios da economia digital.
Competências básicas deixam de ser diferenciais
O estudo identifica ainda habilidades que tendem a perder relevância como foco principal do desenvolvimento profissional. Leitura, escrita e matemática básica aparecem nessa categoria. O material ressalta que elas continuam fundamentais, mas afirma que ferramentas automatizadas devem assumir parte das funções relacionadas a essas competências.
A mudança, portanto, não significa que a leitura, a escrita e a matemática deixem de ser necessárias. O ponto destacado é que, em razão da automação, elas podem deixar de funcionar como diferenciais competitivos isolados.
O mesmo raciocínio é aplicado à destreza manual e à precisão. Tarefas que exigem habilidades motoras e físicas detalhadas estão sendo cada vez mais automatizadas, especialmente na manufatura e na indústria, segundo o texto.
Atenção aos detalhes e precisão também aparecem entre as competências que tendem a perder centralidade. Embora continuem relevantes em algumas áreas, o artigo afirma que sistemas automatizados e soluções de inteligência artificial já assumem parte das tarefas que dependem desse tipo de exatidão.
O que muda para profissionais e empresas
A leitura geral do relatório aponta para um mercado de trabalho em que o conhecimento técnico precisará ser combinado com capacidade de adaptação, análise e relacionamento. O uso da tecnologia deve avançar, mas o material não apresenta a preparação profissional como um processo exclusivamente digital.
Para os profissionais, a orientação central é investir em pensamento analítico, criatividade, liderança, alfabetização tecnológica e inteligência emocional. A aprendizagem contínua aparece como elemento que conecta essas competências e permite acompanhar mudanças sucessivas.
Para as empresas, o desafio descrito está relacionado à formação das equipes. O desenvolvimento de habilidades pode ajudar as organizações a lidar com novos processos, ferramentas digitais e formas de trabalho, segundo a abordagem apresentada no artigo.
O conjunto de competências projetado para 2030, portanto, combina habilidades técnicas, cognitivas e comportamentais. A automação reduz o peso de algumas tarefas repetitivas, enquanto aumenta a importância de capacidades associadas à interpretação, à inovação, à liderança e à adaptação.
Sobre o autor
Tiago Paiva é publicitário, estudou Liderança da Inovação no MIT, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts, e Direção de Projetos Complexos em Cambridge. Atuou à frente da Gerência de Projetos Estratégicos no Ministério da Educação e foi membro do Conselho da RNP.
Ele liderou o planejamento de projetos complexos como Ronda no Bairro e Modernização do Transporte Público em Manaus. Como diretor-presidente da Processamento de Dados do Amazonas, gerenciou orçamento de R$ 350 milhões, com transparência e prestação de contas, segundo a apresentação do autor.
Também exerceu a função de coordenador-geral de Modernização da Suframa, onde atuou na gestão de incentivos fiscais do Polo Industrial de Manaus. O material informa ainda que Paiva liderou projetos estaduais no governo do Amazonas e trabalhou com gestão de projetos, transparência financeira, coordenação de equipes e inovação.
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