O Ministério da Igualdade Racial encaminhou, no dia 25, ofícios ao Ministério da Justiça e Segurança Pública e à Procuradoria Regional Eleitoral do Estado do Rio de Janeiro para solicitar a investigação de uma cena registrada durante um ato de campanha em apoio ao candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL). A manifestação ocorreu no dia 24, na Praça do Ó, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.
O pedido foi motivado por um vídeo que circulou em redes sociais e sites de notícias. Nas imagens, conforme a descrição divulgada, um militante branco conduz um homem negro acorrentado durante o evento. O ministério classificou o episódio como crime racista e pediu que os dois órgãos apurem as circunstâncias.
Descrição da cena
O homem que conduzia o outro aparece vestido com calça e jaqueta nas cores verde e branco, com aplicações da bandeira do Brasil, além de camisa e tênis azuis. O homem negro usava uma camisa listrada em vermelho e preto, bermuda preta e carregava um tridente.
Durante a gravação, o homem branco se referia ao homem negro como “Luladrão, Satanás e Capiroto”. O registro foi associado ao último ato de campanha de Flávio Bolsonaro. O candidato estava em um trio elétrico acompanhado do deputado federal Nikolas Ferreira (PL), do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e do governador eleito do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL).
Posição do ministério
Em nota, o Ministério da Igualdade Racial afirmou ser “inaceitável” que uma pessoa negra seja acorrentada e humilhada. A pasta também relacionou a cena a uma dinâmica reconhecida pela Organização das Nações Unidas como o maior crime já cometido contra a humanidade.
Segundo o ministério, o contexto eleitoral atribui significado adicional ao episódio por remeter às marcas do período escravagista e às feridas ainda presentes na sociedade brasileira.
Manifestação de Anielle Franco
Antes do envio dos ofícios, a deputada federal eleita pelo Rio de Janeiro Anielle Franco (PT) publicou uma mensagem na rede social X informando que procuraria o Ministério da Igualdade Racial para pedir providências sobre o caso ocorrido no Rio de Janeiro e sobre um episódio de intolerância religiosa em Belo Horizonte, também associado a atos bolsonaristas.
Na capital mineira, uma mulher rasgou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida durante uma manifestação favorável a Flávio Bolsonaro. Na publicação, Anielle afirmou que havia discutido os dois episódios em uma transmissão ao vivo e que buscaria informações sobre as medidas cabíveis.
Os ofícios encaminhados pelo Ministério da Igualdade Racial representam um pedido de investigação. A divulgação não apresenta resultado de apuração, conclusão dos órgãos destinatários, identificação dos envolvidos na cena ou eventual responsabilização pelo episódio.
Fonte: Agência Brasil Direitos Humanos.
Foto distribuída pela Agência Brasil Direitos Humanos








