terça-feira, 27 de outubro de 2026
Política

Após eleição de Omar Aziz, plano coordenado por Durango Duarte chega à próxima gestão

Coordenado pelo empresário, publicitário e pesquisador Durango Duarte, o Plano Estratégico de Desenvolvimento do Amazonas foi apresentado por Omar Aziz como uma das bases de seu projeto de governo. O material reúne diagnósticos, indicadores, metas e propostas elaborados por especialistas de diferentes áreas.
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O Plano Estratégico de Desenvolvimento do Amazonas, coordenado pelo empresário, publicitário e pesquisador Durango Duarte, passa a integrar o conjunto de referências técnicas da próxima administração estadual após a eleição de Omar Aziz (PSD) para o governo. Apresentado como uma das bases do projeto de governo, o planejamento reúne três volumes e aproximadamente 1.742 páginas de diagnósticos, indicadores, metas e propostas.

O material foi elaborado com a participação de pesquisadores, professores, economistas, especialistas em políticas públicas, profissionais da administração, entidades de classe, instituições de pesquisa, organizações da sociedade civil e representantes do setor produtivo. As propostas abrangem economia, saúde, educação, segurança pública, infraestrutura, assistência social, habitação, meio ambiente, tecnologia, inovação e desenvolvimento regional.

Omar Aziz foi eleito governador do Amazonas no domingo, 25 de outubro de 2026, ao lado da vice-governadora eleita Alessandra Campêlo. A nova gestão deverá assumir em janeiro de 2027. O plano pretende estabelecer uma agenda que ultrapasse os limites de um mandato e organize ações a partir de diagnósticos e mecanismos de acompanhamento.

Três volumes organizam as propostas

O primeiro volume concentra temas ligados à situação fiscal do Amazonas, aos efeitos da Reforma Tributária, à infraestrutura, à logística e à diversificação da economia. O documento também apresenta diretrizes para o fortalecimento da Zona Franca de Manaus, a expansão das atividades produtivas no interior, a bioeconomia, o turismo, a piscicultura, a fruticultura, a ciência e a tecnologia.

A proposta considera a necessidade de ampliar a capacidade de investimento do Estado e reduzir as desigualdades econômicas entre Manaus e os demais municípios. O planejamento associa essas metas à discussão sobre a estrutura produtiva do Amazonas e às oportunidades de desenvolvimento regional.

O segundo volume é dedicado à saúde, à segurança pública e à assistência social. Na área da saúde, estão previstas a regionalização do atendimento, a ampliação da telessaúde nos 62 municípios, o fortalecimento dos polos regionais e a utilização de barcos-hospitais e equipes itinerantes.

Para a segurança pública, o plano propõe a modernização do Ronda no Bairro e sua expansão por meio do Ronda nos Municípios, Ronda nos Rios, Ronda Social e Ronda Digital. Na assistência social, o programa Amazonas Forte Social aparece como uma proposta para fortalecer a rede de proteção às famílias vulneráveis e ampliar oportunidades de autonomia econômica.

O terceiro volume reúne educação, cultura, habitação, meio ambiente, políticas indigenistas, ciência, tecnologia e inovação. Entre as medidas listadas estão o Pacto Estadual de Alfabetização, o fortalecimento do ensino médio, a ampliação da educação profissional e tecnológica e a modernização dos serviços públicos por meio do programa Amazonas Digital e Inovador.

O documento também prevê o fortalecimento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e do Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam), além de políticas de valorização cultural e proteção dos povos indígenas.

Indicadores e continuidade das políticas

Os documentos procuram conectar os problemas identificados às soluções propostas e aos mecanismos necessários para sua execução. A intenção declarada é acompanhar a implementação por meio de indicadores, metas e instrumentos de avaliação.

Outra diretriz é a continuidade das políticas públicas. O planejamento busca estruturar iniciativas que possam permanecer em funcionamento mesmo com mudanças de governo. Entre os temas contemporâneos incorporados ao material estão inteligência artificial, transformação digital, mudanças climáticas, desenvolvimento sustentável e modernização da administração pública.

O segundo volume registra a participação direta de mais de 200 colaboradores. O terceiro menciona mais de uma centena de participantes. A elaboração também contou com contribuições de instituições e setores envolvidos em diferentes áreas da administração e da economia estadual.

A implementação das propostas, porém, dependerá da definição de prioridades, da disponibilidade orçamentária, da capacidade de execução dos órgãos públicos e da articulação com municípios, União e setor produtivo.

Trajetória profissional de Durango Duarte

A coordenação do plano está relacionada à experiência de Durango Duarte em pesquisas, comunicação, consultoria e gestão de projetos. Nascido em 11 de novembro de 1963, em Cachoeira do Sul, no Rio Grande do Sul, ele chegou a Manaus em 1975, ainda adolescente, e construiu na capital amazonense a maior parte de sua trajetória profissional e empresarial.

Sua formação inclui estudos em Engenharia, Matemática e Jornalismo na antiga Universidade do Amazonas, atual Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Também é graduado em Comunicação Social, com habilitação em Publicidade e Propaganda, pelo Centro Universitário do Norte (Uninorte).

Durango realizou especializações em marketing, políticas públicas, governo, inovação e transformação digital. Esses campos se relacionam às atividades que desenvolveu em pesquisas, comunicação e planejamento estratégico.

Sua aproximação com a política começou no movimento estudantil, na década de 1980, quando participou de mobilizações pela redemocratização do país e de atividades de representação universitária. Nesse período, estabeleceu relações que acompanharam sua atuação profissional nas décadas seguintes.

Relação com Omar Aziz começou em 1988

A relação profissional entre Durango Duarte e Omar Aziz remonta à participação de ambos na vida estudantil e política do Amazonas. Em 1988, Durango foi convidado por Omar para assumir a direção executiva da Fundação de Apoio e Desenvolvimento Comunitário (Fundac). No mesmo ano, participou da primeira campanha eleitoral de Omar para a Câmara Municipal de Manaus.

Entre 1989 e 1990, atuou como consultor do então prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto. Mais tarde, desenvolveu trabalhos de consultoria associados a administrações estaduais de Amazonino Mendes, Eduardo Braga, Omar Aziz e Wilson Lima, além de gestões municipais.

Ao longo desse período, participou de estudos, estratégias e projetos relacionados à comunicação institucional, ao planejamento governamental e às políticas públicas. Entre as iniciativas associadas à sua trajetória estão o Ronda no Bairro, o Amazonas Digital, o Viver Melhor, a Cidade Universitária e o Bolsa Universidade.

Essa experiência esteve ligada à análise de informações, à formulação de estratégias e ao acompanhamento da administração pública, áreas que também fazem parte da coordenação do plano apresentado por Omar Aziz.

Perspectiva ampliou atuação em pesquisas

Um dos principais marcos empresariais da trajetória de Durango foi a fundação, em 13 de julho de 1993, da Perspectiva Tecnologia da Informação, que posteriormente passou a atuar sob a marca Perspectiva Mercado e Opinião.

A empresa realizou pesquisas eleitorais, estudos de mercado, levantamentos de opinião pública e análises do comportamento dos consumidores. A experiência de Durango no setor havia começado em 1990, em trabalhos desenvolvidos com professores do Departamento de Estatística da Universidade do Amazonas.

Naquele momento, participou de iniciativas de acompanhamento e apuração eleitoral paralela, em um período no qual os recursos tecnológicos eram mais limitados e a totalização oficial dos resultados podia levar vários dias.

Segundo informações de sua trajetória profissional, a empresa desenvolveu mais de mil projetos de pesquisa. Durango também acumulou experiência no acompanhamento de 22 eleições desde 1982 e criou o Top of Mind, levantamento sobre as marcas e os produtos mais lembrados pelos consumidores de Manaus.

A atuação no mercado de pesquisas consolidou sua experiência na interpretação de indicadores, na identificação de tendências e no uso de informações para orientar decisões estratégicas.

Empresas de comunicação e tecnologia

Durango diversificou suas atividades empresariais ao longo dos anos. Em 2009, fundou a The Voice, voltada à publicidade em painéis eletrônicos de LED, segmento que passou a ocupar espaço no mercado de mídia exterior de Manaus.

Em 2019, criou a iMarketing, com serviços relacionados à comunicação digital, marketing, pesquisas e monitoramento de informações. Em 2021, fundou a Red Agency, voltada ao setor publicitário, e estruturou a DMD Holding para organizar suas atividades e participações empresariais.

A expansão dos negócios ampliou sua experiência na gestão de equipes, no desenvolvimento de projetos, na inovação tecnológica e no planejamento empresarial. Essa trajetória também se relaciona ao trabalho de articulação de profissionais de diferentes especialidades realizado na elaboração do plano estadual.

Preservação da memória do Amazonas

Paralelamente às atividades empresariais e de consultoria, Durango desenvolveu uma atuação voltada à pesquisa e à preservação da memória histórica do Amazonas.

Em 2015, fundou o Instituto Durango Duarte (IDD), organização sem fins lucrativos dedicada à pesquisa, à documentação e à preservação de registros históricos. Inaugurado oficialmente em abril de 2016, o instituto reúne jornais, fotografias, documentos e outras fontes relacionadas à história de Manaus, do Amazonas e do Brasil.

Durango também participou da produção de obras sobre política, cultura, comunicação e história regional. Entre seus trabalhos estão Informação é Tudo, lançado em 2005; Manaus, entre o Passado e o Presente, de 2009; Imprensa Amazonense, de 2015; e Manaus 350 Anos, publicado em 2020.

Ele também participou de publicações relacionadas à história da Zona Franca de Manaus, ao ciclo da borracha e à preservação do patrimônio histórico da capital.

Plano entra no conjunto de referências da gestão eleita

Com a eleição de Omar Aziz, o Plano Estratégico de Desenvolvimento do Amazonas passa a compor o conjunto de referências técnicas disponíveis para a formulação das políticas públicas da próxima administração.

Omar retorna ao comando do Executivo estadual depois de ter administrado o Amazonas entre 2010 e 2014. Nesta eleição, terá Alessandra Campêlo como vice-governadora, a primeira mulher eleita para o cargo no Estado.

A futura gestão enfrentará temas relacionados à reorganização administrativa, à ampliação dos investimentos, à melhoria dos serviços públicos e ao desenvolvimento dos municípios do interior. O plano apresenta propostas para essas áreas e organiza uma agenda baseada em diagnósticos e estratégias de execução.

A coordenação do trabalho reúne diferentes momentos da trajetória de Durango Duarte: a participação no movimento estudantil, a consultoria governamental, o empreendedorismo, a pesquisa de opinião pública, a comunicação e a preservação histórica.

O desafio da próxima etapa será transformar os estudos e as propostas reunidos nos três volumes em ações concretas, considerando as prioridades definidas pelo governo, os recursos disponíveis e a capacidade de execução da administração estadual.