domingo, 1 de novembro de 2026
Brasil

“O Brasil precisa dos jovens”, diz estudante após encontro com Lula

Daniel Vidal Moura, de 13 anos, participou de uma homenagem ao presidente e defende acessibilidade, combate ao preconceito e maior presença de adolescentes nas discussões políticas.
“O Brasil precisa dos jovens”, diz estudante após encontro com Lula
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O estudante Daniel Vidal Moura, de 13 anos, defende que adolescentes participem mais das discussões políticas e que o país avance na acessibilidade para pessoas com deficiência. Morador da Asa Sul, em Brasília, ele tem menos de 5% da visão nos dois olhos em razão da Amaurose Congênita de Leber, doença genética identificada quando tinha dois meses de vida.

Daniel falou sobre esses temas depois de encontrar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante uma homenagem organizada por eleitores no dia 27, do lado de fora da grade do Palácio da Alvorada. A conversa durou cerca de 50 segundos. Acompanhado do pai, o bancário Fernando Moura, de 46 anos, o estudante decidiu faltar à aula de futebol para participar do ato pelo aniversário de 81 anos do presidente.

“Queria dizer a ele que quero ser presidente também”, afirmou Daniel. Segundo o estudante, o tempo foi insuficiente para apresentar todas as ideias que gostaria de discutir. Entre os assuntos estavam políticas públicas, acessibilidade, preconceito e participação dos jovens na política.

Acessibilidade na rotina

Para acompanhar as atividades escolares no computador, Daniel usa um teclado eletrônico em braille. Na avaliação dele, o governo deveria ajudar outras pessoas com deficiência a obter equipamentos semelhantes. “Eu acho que o governo deveria ajudar todos a terem um assim”, disse.

O estudante também relata dificuldades em espaços públicos. Ele citou pisos irregulares, prédios sem rampas ou elevadores e limitações no transporte público como problemas que afetam a circulação de pessoas com deficiência.

“Em todo lugar que eu vou, a acessibilidade é precária”, afirmou. Em uma conversa mais longa com Lula, Daniel disse que sugeriria a criação de um ministério exclusivo para pessoas com deficiência. Desde janeiro de 2023, o país conta com uma Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

Interesse por política e desigualdade

O interesse do estudante por temas sociais foi estimulado em casa. A mãe, a servidora pública Raquel Vidal, de 45 anos, contou que lia para o filho desde os primeiros meses de vida e o incentivava a conhecer diferentes assuntos.

“Nós líamos para ele desde que nasceu. Ele nunca parou de se interessar sobre o mundo. O Daniel sempre se interessou muito por história e por geopolítica”, afirmou Raquel.

Com o tempo, Daniel também passou a acompanhar assuntos relacionados à economia, às notícias internacionais e à desigualdade. Entre os temas que chamaram sua atenção, ele citou a saída do Brasil do Mapa da Fome e a taxa de desemprego, que, segundo ele, é a menor desde 2015.

O estudante afirma ainda que conversa com colegas sobre jovens que não têm os mesmos privilégios. Para ele, adolescentes devem ser estimulados a acompanhar a vida pública, mesmo antes da idade mínima para votar.

“A gente só pode votar depois dos 16 anos, mas nós, jovens, temos que participar mais. O Brasil precisa dos jovens. O país vai crescer se os jovens estiverem interessados nisso”, disse.

Preconceito e participação social

O combate ao capacitismo está entre os temas discutidos por Daniel e sua família. O pai afirma que conversa com os filhos sobre a importância de não excluir o estudante por causa da deficiência visual. Fernando também aborda em casa o racismo e outras formas de preconceito.

“Nós falamos para ele que ninguém pode ser capacitista ou racista ou homofóbico. Não pode ser preconceituoso com ninguém”, disse o pai.

Daniel relaciona a defesa dos direitos das pessoas com deficiência à própria experiência. “Nós, pessoas com deficiência, precisamos batalhar para conquistarmos nossos direitos”, afirmou.

O estudante também comentou manifestações de adolescentes durante a campanha eleitoral deste ano. Para ele, a participação social depende de conscientização e interesse pela política. “É bonito quando todos participam”, disse.

Se tivesse mais tempo com Lula, Daniel afirmou que pediria o cumprimento de promessas relacionadas ao reforço de políticas públicas e à correção de problemas do país. Ele também diria que o Brasil deve deixar a condição de país emergente e se tornar desenvolvido. A mãe afirma que, acima de tudo, deseja que o filho seja feliz e tenha acesso a oportunidades.

Fonte: Agência Brasil Direitos Humanos.

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil